agosto 20, 2007

A MENINA

A multidão de olhares na hora do pico,todos concentrados somente em retornar para casa,outros atrasados,outros pensam em descansar o mais rápido possível porque o amanhã com certeza será mais corrido.Outros pelo contrario não param,resistem,dia a dia para trazer o sustento a sua família.
Tudo parece estar em harmonia,mas para ouvidos sem sentimento será impossível escutar algo,dessa forma prossegue a cada minuto e a cada segundo uma surpresa,a tal surpresa que com simples sorriso mostra beleza,e entrando dentro do ônibus pela porta de trás com algumas caixas na mão,vejo que nada é ilusão.
São apenas pessoas cegas,que não querem ver ou simplesmente tem medo de ver,pois a avenida radial leste está totalmente lotada,mas por alguns segundos esqueci aquelas continuas buzinadas e gritos nas calçadas.
Os meus olhos ficaram concentrados,meus ouvidos ouvia alguns boatos,pois percebo que a menina que havia entrado com as caixas rosas na mão,vendia apenas algumas balas de goma,no trajeto do estreito corredor do ônibus.
Ainda mais que ela era nova e estava gravida com um sinal e uma expressão no rosto de dor que estava pra nascer seu filho em breve.
Tenho certeza que falta apenas 1 mês,como as coisas se repetem outra vez,agora é mais uma jovem mãe,mais uma criança sem pai e mais alguns sonhos que não se realizam e ao mesmo tempo é criado outros sonhos pra serem realizados.
Penso nisso tudo enquanto ela vende suas balas de goma,que sempre tem uma promoção na intenção de vender mais e mais a cada ponto ou até a próxima estação.
Enfim passado alguns minutos chega a hora dela descer tinha já vendido algumas,a simplicidade dela me deixa como lembrança e a imagem do rosto daquela criança.
Que a infância foi roubada após 1 suspiro de ignorância.



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